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Pimenta Rosa

Experiências na cozinha e viagens gastronômicas
August 20

Viagens gastronômicas - Visconde de Mauá - Primeira parte

Faz aproximadamente 8 anos que eu e meu marido descobrimos Visconde de Mauá... Isso graças a um casal de amigos meus da pós-graduação que viajou para lá e levou as fotos nas aulas. Quando eu vi as cachoeiras e a natureza exuberante daquelas imagens fiquei passada! Perguntei na hora onde era aquele paraíso e desde então eu e meu marido vamos para lá quase todos os anos...

Eu sou tão apaixonada por aquele lugar que vários amigos meus acabam indo visitar a cidade de tanto que eu falo na orelha... Foi o caso da minha amiga Mari que resolveu passar esse final de semana lá com o maridão e pediu as minhas famosas e preciosas dicas... No final das contas ela acabou nos convidando para ir também e a gente topou!

Em outros tempos eu não pensaria duas vezes para dizer um alto e sonoro SIM! Mas agora, com o meu príncipe de 1 ano e meio, as coisas mudaram de figura... Desde que engravidei, eu não havia me separado dele mais do que 12 horas... Lógico que meus pais acharam o máximo a idéia de passar três dias com o netinho, mas meu coração ficou apertado e foi difícil decidir. Mesmo assim, me enchi de coragem e fiz as malas. Todo casal precisa de um tempo a sós, principalmente com a chegada dos filhos, pois esse tempo fica mais escasso. Além disso, para mim é importante exercitar o desapego com o filhão, porque eu tenho uma forte tendência a ser uma mãe super protetora e sei que isso não é bom nem para mim nem para meu príncipe...

Fazia dois anos que não visitávamos Visconde de Mauá. A última vez que estive lá estava grávida mas não sabia. Foi maravilhoso estar de volta. Os dias estavam lindos e ensolarados, o que deixou a natureza ainda mais bonita, com o verde mais verde e as cachoeiras e corredeiras mais brilhantes (e geladas - claro que eu mergulhei todos os dias). As noites de lua cheia estavam claras e perfeitas para caminhar contemplando o céu e as estrelas, sentindo aquele friozinho gostoso na ponta do nariz...

Para tudo ficar ainda mais especial, a gastronomia da região é deliciosa... São muitas as opções de restaurantes charmosos, aconchegantes e com pratos de dar água na boca. Foram poucos dias de viagem e não conseguimos visitar todos os restaurantes que adoramos. Mesmo assim conseguimos voltar em alguns e descobrir novas opções. Eu comi truta todos os dias...

Depois de caminhar até a cachoeira de Santa Clara, almoçamos no restaurante Truta Rosa que fica dentro de um lindo trutário. Truta fresquinha, do jeito que você quiser. O atendimento estava um pouco lento, já que o lugar estava cheio e somente duas pessoas atendendo. Nada que chegasse a estressar e os pratos estavam gostosos, principalmente a truta salmonada, que é servida inteira com papillote de cogumelos e molho teriaky. As entradinhas à base de truta estavam deliciosas. Eu pedi filé de truta em crosta de couscous marroquino e risoto de alho-poró.  Nham-nham!

 truta salmonada truta aberta

papillote entradasfile de truta com risoto

Um jantar romântico à luz de velas, com deliciosos pratos e música de qualidade, tem que ser no restaurante Terra da Luz. O pianista Marcos Ariel sempre se apresenta por lá e interpreta como ninguém as músicas do maestro Tom Jobim. Pedi salada de entrada, com vinagrete de frutas vermelhas e torradinhas de queijo de cabra. O prato principal foi um filé de truta com perfume de azeitonas pretas, acompanhado de arroz com amêndoas e tian de legumes. A Mari pediu de sobremesa os deliciosos profiterolis com calda de chocolate. Eu ganhei um de presente. Êba!

salada truta com perfume de azeitonas pretas profiterolis

A viagem foi mesmo uma comilança e tanto...! Depois de subir em cachoeiras, caminhar longas trilhas e mergulhar em águas geladas, nada melhor do que comer bem, não é verdade? No próximo post mais dicas de comidinhas e passeios em Visconde...

Colaboraram com as fotos: Mariana e Márcio Gambini.

August 14

Viagem gastronômica em andamento...

cachoeira da saudade

Estou de partida para Visconde de Mauá. Lugar que amo visitar e que me faz muito bem.

Lá eu posso reciclar o contato com a natureza (que é fundamental para mim), com suas refrescantes e energizantes cachoeiras, vivenciar um clima delicioso, respirar ar puro, além de me esbaldar, é claro, na gastronomia local (que é tudo de bom...!).

Volto na próxima semana com dicas gostosas de mais essa viagem gastronômica...

Cozinha Brasileira - Parte Final

A cozinha da Região Norte

Curioso pensar que esse extremo do Brasil possa ser considerado o berço da culinária nacional, verdadeiro museu daquilo que um dia foi a maneira pela qual os nativos dessa terra se alimentavam. O índio sempre soube aproveitar todos os recursos ao alcance de seu arpão e de sua flecha, desde a onça ou o jacaré, o caramujo e a ostra, e peixes abundantes. Os peixes, caças e frutas apreciados pelos índios continuam como referência máxima da região, além de temperos como pimentas e coentro.

Eu, por exemplo, jurava que o Baião de dois era típico da região Nordeste. Ledo engano, a verdade é que esse saboroso prato é proveniente do Pará, assim como a deliciosa castanha que usamos para preparar a torta que fiz no Dia dos Pais.

Para representar a região Norte, produzimos o Baião de dois, o peixe frito (porquinho) com farinha de milho e a torta de castanha do Pará.

região Norte

Modéstia à parte, mas os meninos do meu grupo (um deles inclusive é de Belém do Pará), disseram que nunca comeram um Baião de dois tão gostoso. Eu e mais uma colega do grupo preparamos o baião pela primeira vez na vida e não é que ficou tudo de bom? Ela até disse que não gostava do prato e passou a gostar naquela hora. Praparado com feijão fradinho, arroz, manteiga de garrafa, carne seca, linguiça calabresa e queijo coalho, uma iguaria para representar mais do que bem a região Norte. O Baião foi servido com o peixe frito que ficou bem sequinho.

baião de dois e peixe frito

A torta de castanha do Pará que preparei no Dia dos Pais fez sucesso na aula e aqui em casa. Muitos já me pediram a receita, então, lá vai:

torta de castanha do Pará

Ingredientes para a massa:

- 8 ovos

- 270g de açúcar

- 350g de castanha do Pará processada

- 110 g de farinha de rosca

- 2 colheres de chá de fermento em pó

Ingredientes para o recheio e cobertura

- 200g de manteiga

- 200g de açúcar de confeiteiro

- 1 colher de café de essência de baunilha

- 30g de cacau em pó

- 3 claras

- 100g de castanhas do Pará laminadas

Preparo da massa

- Misture o açúcar, as castanhas processadas, a farinha de rosca, o fermento e uma pitada de sal.

- Em uma batedeira, bata os ovos até ficarem homogêneos e espumarem. Com a batedeira em movimento, acrescente aos poucos a parte seca.

- Unte uma assadeira redonda com manteiga e farinha, derrame a massa e leve para assar em forno pré-aquecido a 180 graus, teste com palito de dente. Desinforme quando esfriar e reserve.

Preparo do recheio e cobertura

- Bata a manteiga com o açúcar de confeiteiro e a baunilha na batedeira. Polvilhe o cacau em pó passado na peneira fina. Continue batendo até obter uma mistura cremosa.

- Junte as claras e continue batendo somente até ficar um creme homogêneo.

- Corte a massa ao meio (eu corto com linha de costurar), recheie e cubra a torta com esse creme. Para decorar, salpique as castanhas em lâminas por cima.

August 11

Almoço de Dia dos Pais: saladinha + massa + torta

Já faz alguns anos que preparo o almoço de Dia dos Pais aqui em casa. A data ficou ainda mais especial depois da chegada do meu filho, pois reunimos todos os papais e vovôs babões, além de vovós e titias, para curtirmos juntos durante todo o dia. E como não poderia ser diferente, ficamos praticamente a tarde inteira sentados em volta da mesa, comendo, jogando conversa fora, dando risada e aproveitando esses momentos especiais.

A princípio havia pensado em um cardápio mais elaborado e, consequentemente, mais demorado... Depois pensei bem e resolvi preparar comidinhas gostosas, simples e rápidas para poder ficar na companhia de todos e não totalmente focada na cozinha. Sim, porque eu sou desse jeito... Quando piso na cozinha já fico toda concentrada, falando menos e preocupada com o resultado final. Principalmente quando recebo pessoas em casa...

Comecei no sábado pela sobremesa. Uma deliciosa Torta de Castanha-do-Pará que aprendi na última aula do curso de chef, módulo de Cozinha Brasileira. No primeiro momento achei que ficaria seca, já que a massa leva bastante castanha-do-pará e farinha de rosca. No entanto, com a adição dos ovos a massa fica super macia e molhadinha. O recheio e a cobertura são feitos à base de manteiga, cacau em pó, açúcar de confeiteiro, claras e essência de baunilha. Para decorar algumas lâminas de castanha-do-pará. O povo aprovou e repetiu!

massa cobertura torta de castanha-do-pará

Como entrada servi a mesma salada que preparei no jantar do Dia dos Namorados: salada de agrião, pêras banhadas no suco de limão siciliano, nozes, gorgonzola e vinagrete de framboesa. Essa combinação é mesmo tudo de bom! Sucesso garantido entre os comensais!

salada

O prato principal ficou por conta de uma suculenta lasanha preparada com salsa pomodoro, salsa béchamel, ricota, mussarela e parmesão. Caprichei na salsa pomodoro, usando 2 latas de de tomates inteiros pelados, que refoguei em 1 cebola picadinha e 2 dentes de alho amassados e picados. Quando os tomates desmancharam, acrescentei 1 amarrado de alecrim e talos de salsa e muitas folhinhas de manjericão. Temperei com sal e uma pitadinha mínima de tabasco.

Preparei o molho béchamel como manda o figurino. Antes de usar a ricota na montagem da lasanha, temperei com sal e parmesão ralado. Para a massa da lasanha resolvi testar a marca Renata. Em 40 minutos a massa fica al dente e é super saborosa. Aprovadíssima!

massa Renata lasanha      

Comidinhas simples, fáceis de preparar e com gostinho de quero mais (errei na medida dos molhos e só consegui montar uma única lasanha...). Ainda bem que a entrada e a sobremesa eram bastante substanciosas e, ao final da refeição, deixaram todos satisfeitos. A verdade é que às vezes me atrapalho ao cozinhar para muita gente...

E como sempre, a melhor parte é ouvir de todos "hummmmmmmmmm, que delícia!", vendo o sorriso estampado nos lábios das pessoas que eu amo (e os pratos vazios, é claro!).

August 05

Cozinha Brasileira - Parte 3

A cozinha da Região Centro-Oeste

Depois de um mês de férias, estou feliz em retomar as aulas do curso de chef. Estava com saudades das aulas, dos amigos e da delícia que é aprender a cozinhar mais e melhor!

Com a imensidão do nosso querido país, continuamos a desvendar o módulo de Cozinha Brasileira. Depois de passear pelo Sul, Sudeste e Nordeste, mergulhamos nas águas do Pantanal da região Centro-Oeste. Pouco conheço dessa região. Já estive nas cidades de Goiânia e Brasília somente a trabalho. Nunca visitei o estado do Mato Grosso, tampouco Mato Grosso do Sul.

A culinária da região Centro-Oeste sofre forte influência dos bandeirantes e tropeiros, que passaram por lá em busca de terras férteis e de ouro, além das refeições típicas pantaneiras ricas pela variedade de peixes, em especial o Pintado, peixe de couro muito apreciado e que compõe um dos pratos produzidos em aula, a Mojica de Pintado. Preparamos também o Feijão à Moda do Pantanal e um Curau de Milho Verde.

região centro-oeste

A Mojica de Pintado ficou muito gostosa. Depois de fritar os cubos do peixe, preparamos um caldo à base de cebola, alho, tomate, pimentão, espinhas do pintado, um amarrado de ervas com salsinha, coentro e cebolinha e uma folha de louro. Esse caldo foi usado para cozinhar a mandioca até formar um creme. O chef elogiou a apresentação.

mojica de pintado

O Feijão à Moda do Pantanal é feito com feijão mulatinho, lombo suíno, linguiça seca e repolho branco.

feijão à moda do Pantanal

A sobremesa ficou por conta do Curau de Milho Verde. Foi difícil conseguir o ponto certo na panela e por isso sobrou pouco tempo para refrigeração. A consistência ficou mais cremosa do que a ideal e por isso servimos em quenelles (moldamos em colheres) e finalizamos polvilhando um pouco de canela em pó. 

curau de milho verde

Amanhã fecharemos esse módulo com a cozinha da Região Norte, que é claro, depois contarei mais por aqui!

August 03

Comidinha embrulhada

É uma verdadeira viagem perceber as diferentes nuances de textura, consistência e sabor que os diversos métodos de cocção proporcionam aos alimentos. Um brócolis refogado, por exemplo, tem consistência e sabor completamente distintos de um brócolis assado, assim como um peixe no vapor é totalmente diferente de um peixe ensopado.

Para preparar vegetais assados, adoro embrulhá-los em papel-manteiga formando uma trouxinha e levá-los ao forno. Os franceses chamam esse método de papillote, já os italianos deram o nome de cartoccio. Esse tipo de preparo retém a umidade e os nutrientes do alimentos, além de preservar seu delicioso aroma. Por isso, os papillotes devem ser abertos à mesa, para que todos possam salivar ao sentir os aromas desprendidos.

Vegetais, peixes e frutas ficam ótimos se preparados em papillotes, que podem ser feitos em papel-manteiga ou papel-alumínio. Eu gosto de usar o papel-manteiga porque acho mais charmoso para ir à mesa. É interessante sempre adicionar um líquido aromático para formação de vapor e deliciosas ervas para perfumar ainda mais o prato.

Para preparar um saboroso papillote de vegetais usei os seguintes ingredientes (para 4 unidades):

papillote trouxinhas

1/2 pimentão vermelho e 1/2 pimentão amarelo em julienne, 1 abobrinha em cubinhos, 1/2 beringela em cubinhos, 1 tomate concassé, 2 dentes de alho, cebolinha picadinha, raminhos de salsinha, folhas de manjericão, parmesão ralado na hora, sal a gosto, azeite de oliva extra virgem e suco de abacaxi.

Cortei 8 retângulos de papel-manteiga. Para cada papillote utilizei 2 retângulos sobrepostos. No centro de cada um deles coloquei um pouco de cada um dos vegetais, 1/2 dente de alho amassado, salpiquei a cebolinha e folhinhas rasgadas de manjericão, além de 1 raminho de salsinha. Reguei com um fio de azeite, suco de abacaxi e temperei com sal e uma gotinha de pimenta tabasco. Ralei um pouco de queijo parmesão por cima.

papillote de vegetais

Coloquei as trouxinhas em uma assadeira e levei ao forno pré-aquecido por aproximadamente 25 minutos. Servi com arroz integral.

Comidinha saudável e saborosa embrulhada para presente!

July 30

A Reserva

A vida é feita de escolhas. Devemos ouvir o nosso coração e perseguir os nossos sonhos, ou seguir a razão e dar um rumo à nossa vida fazendo não exatamente aquilo que gostamos? Não existe uma resposta certa. A única certeza que temos é o livre arbítrio para escolher qual caminho trilhar.

a reserva

Esse final de semana fui ao teatro assistir a uma peça que falava sobre esses dilemas eternos que passamos durante a vida. A Reserva é uma peça que fala de sonhos vistos por duas gerações diferentes. A mãe (Irene Ravache) trata a gastronomia como arte e não abre mão de seus princípios, enquanto seu filho (Evando Soldatelli) é mais racional e privilegia o sucesso e o lado financeiro, deixando de lado seus sonhos mais íntimos.

Decidi por essa peça, primeiro porque fala de gastronomia e se passa dentro de um restaurante, segundo porque gosto muito da Irene Ravache e ela está de fato ótima em cena, e terceiro porque esses dilemas têm permeado minha vida nos últimos anos.

Vivo um momento em que meu coração está falando mais alto. Deixei o emprego de gerente de contas em uma agência de marketing promocional, me dedico de corpo e alma ao meu filho de 1 ano e 4 meses e estou conseguindo realizar o sonho de estudar gastronomia e fazer o curso de chef de cozinha que eu tanto queria. Tenho ainda esse blog no qual adoro compartilhar minhas experiências e que tem me dado muitas alegrias.

Algumas pessoas decidem por correr atrás de seus sonhos e outras não. Sei que não existe certo ou errado. Mas acredito que pelo menos uma vez em nossas vidas devemos acreditar em nossos desejos mais íntimos e fazer acontecer. Posso dizer por experiência própria que vale a pena!

A RESERVA

Com: Irene Ravache, Patricia Gasppar e Evandro Soldatelli
Teatro Cosipa Cultura – Av. do Café, 277 - Jabaquara – Metrô Conceição
Horário: Sextas, às 21h30; Sábados, às 21h, e Domingos, 18h. www.teatrocosipacultura.com.br

July 24

Caracóis Húngaros da Minha Vovó

caracóis húngaros da vovó

Já fazia algum tempo que eu queria resgatar essa receita da minha avó húngara. Os caracóis húngaros têm sabor de infância, de tardes gostosas com a minha avó, minha mãe e minha irmã, quando a gente ainda tinha tempo de se reunir para um delicioso café da tarde.

Não importava a hora ou a situação, era só pedir para a minha avó que ela preparava seus deliciosos caracóis húngaros. Essa receita não estava anotada em lugar algum. Ela sabia de cabeça e também foi assim que ensinou a minha mãe, que por sua vez acaba de me ensinar...

Enquanto eu sovava a massa, tinha a impressão que jamais conseguiria o ponto certo. Em pensamento, comecei a pedir para a minha avó guiar as minhas mãos... Nesse momento, me arrependi de nunca ter ficado ao lado dela, prestando muita atenção, enquanto ela preparava os caracóis. A verdade é que eu não via a hora em que ficassem prontos, para poder comê-los bem quentinhos, acabados de sair do forno, desenrolando um a um (é assim que eu gosto de comer)...

Quando penso nisso, me dou conta de quantas coisas ainda tenho que falar e aprender com meus pais. Quantas histórias ainda preciso ouvir novamente ou ouvir pela primeira vez...

Sovei, sovei, sovei e a massa começou a desgrudar das mãos e atingir uma boa consistência, não sei se exatamente a ideal. Deixei crescer por uns 20 minutos e comecei a abrir a massa com o pau de macarrão.

massa

A falta de força e prática deixou minhas mãos vermelhas e doloridas. Enquanto que minha avó, já com certa idade, sovava e abria a massa com toda a disposição e facilidade...

Depois de aberta, pincelei a mistura de margarina com açúcar e enrolei a massa como um rocambole. Cortei em fatias e deixei crescer mais algum tempo.

caracóis

Coloquei no forno e quando começaram a dourar, pincelei a mistura de leite com açúcar e deixei dourar mais um pouquinho.

caracóis dourados

A casa ficou toda perfumada com o aroma dos caracóis húngaros assando no forno. Comi vários ainda bem quentinhos e matei um pouco da saudade...

Não... eles não ficaram com o mesmo sabor dos caracóis húngaros da minha avó...

caracóis húngaros

Receita da Vovó, ensinamento passado de boca a ouvido (parampará)

Massa:

1Kg de farinha de trigo

50g de fermento biológico fresco

1 colher de sopa de açúcar

2 ovos inteiros

leite morno quanto baste (usei 2 xícaras de chá)

Juntar o açúcar e o fermento até formarem uma pasta homogênea. Adicionar a farinha de trigo, os ovos e colocar o leite aos poucos, sovando a massa até atingir o ponto ideal. Cobrir a massa e deixar crescer por 20 minutos ou até dobrar de tamanho.

Recheio:

100g de margarina derretida

1 xícara de açúcar

Misturar e pincelar na massa aberta. Enrolar como um rocambole e fatiar. Deixar crescer mais alguns minutos. Colocar no forno.

Cobertura:

1 xícara de leite

1/2 xícara de açúcar

Depois de dourar no forno, pincelar a mistura nos caracóis e deixar dourar mais uns 5 minutinhos.

July 22

O que a mesa revela

Estava lendo o livro Correio Feminino de Clarice Lispector, e encontrei esse texto que fala sobre as revelações que podemos fazer à mesa sobre nossa personalidade. Apesar de escrito em 5 de outubro de 1960 é muito atual e divertido...

correio feminino

"Na opinião de psicanalistas, o modo pelo qual as pessoas se sentam à mesa e comem é significativo no estudo de suas personalidades, pois tem sua origem em fatores precisos, entre os quais se pode incluir não só as chamadas de "boas maneiras", como também educação, moral e religiosa, hereditariedade etc.

Assim, em termos de psicanálise, a recusa de um convite pode ser um indício de hostilidade. Afastar um prato freqüentemente traduz um "surdo desacordo". Uma pessoa de temperamento afetuoso aceita, sempre que possível, os almoços e jantares que lhe oferecem e - o mais importante - come de tudo. É verdade que existe a hipótese de alergia: podemos ser alérgicos a um prato ou a quem nos fez o convite, sem que isso signifique que somos hostis à humanidade inteira...

No restaurante, a convite de alguém, se escolhemos de propósito o prato mais caro, é porque, no subconsciente, estamos tentando castigar o anfitrião, talvez por julgarmos que ele nos deva muito mais do que um jantar!

Por outro lado, se o prato escolhido por nós é acintosamente o mais barato, trata-se de um nítido complexo de inferioridade.

Um outro sintoma curioso e não muito comum... o de quem quer sempre pagar a conta no restaurante. Ao que parece, está revelando ser um esfaimado, não de comidas, mas de elogios, sequioso da boa opinião dos outros.

Por que um senhor modesto, convidado por seu patrão ou por alguém de importância, tende a copiá-lo na escolha dos pratos? Simplesmente porque deseja erguer-se ao nível do outro e, pelo menos por uns instantes, imaginar-se também rico ou importante.

O insatisfeito engole o que lhe colocam no prato, sem saborerar, como se estivesse desincumbindo-se de uma tarefa ou temesse ser prejudicado, receber menos do que considera que lhe é devido.

Conclusão: a pessoa equilibrada gosta de comer simplesmente pelo prazer que lhe proporciona o gosto da comida, e não é exigente na escolha de um menu. Atenção, pois, às revelações que você possa fazer sobre sua personalidade quando se senta à mesa!".

July 19

Pasta de Grano Duro

Em busca de um macarrão Cappeli D'Angelo para colocar na sopinha de legumes do meu filho, tive a felicidade de descobrir a De Cecco. Trata-se de uma marca italiana criada em 1886, com uma massa de grano duro realmente fantástica.

Hoje fui ao Pão de Açúcar para comprar os ingredientes da Cocada Mole, já que fui intimada pelo marido e pela irmã para preparar imediatamente para eles, e me deparei com o Pappardelle De Cecco. Essa é uma daquelas massas que você se pergunta se vale mesmo a pena ficar sovando e preparando uma massa fresca, com um exemplar de tão boa qualidade dando sopa na prateleira do supermercado.

O pappardelle é uma massa em forma de fita muito larga que combina bem tanto com um molho substancioso, quanto com um molho mais cremoso ou delicado. Desde que aprendi o burro de salvia e papavero no curso de chef, tinha vontade de prová-lo em uma massa seca, já que na aula preparamos com o cappelletti de ricota e rape rosso e eu fiquei simplesmente enlouquecida por esse molho.

Cheguei em casa e mãos à obra. Enquanto preparava a cocada mole que vou servir amanhã para os meus amores, coloquei a panela com água para cozinhar o pappardelle. Com 8 minutos de fervura a pasta ficou al dente.

Na minha maravilhosa e novíssima sauteuse preparei o espetacular molho de manteiga de sálvia com semente de papoula, o famoso burro de salvia e papavero. Você precisa provar, é sério! Ele caiu como uma luva com o pappardelle, pois foi possível sentir o delicioso gosto da massa combinado com a manteiga de sálvia e as sementes de papoula que ficam a estourar na boca.

manteiga de sálvia

Eu fiz o molho no olhômetro, pois depende da quantidade de massa a ser cozida. Coloquei manteiga sem sal na panela e assim que derreteu acrescentei a sálvia picada grosseiramente. Temperei com um pouco de sal e salpiquei as sementes de papoula. Depois foi só jogar a massa cozida, saltear na panela e servir imediatamente.

pappardelle

Mais uma vez eu digo: você precisa provar!

pappardelle al burro de salvia e papavero

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Clarissa Fondevila

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Sou filha de espanhol e descendente de italianos e húngaros, ou seja, desde a infância a arte de cozinhar sempre esteve muito presente na minha vida. Meus pais cozinham muito bem, herança de minhas avós (a paterna é espanhola e a materna era húngara casada com italiano), que passaram suas vidas fazendo delícias para a família. Sorte minha que cresci experimentando as maravilhas dessas culturas gastronômicas tão ricas. Depois que casei a cozinha finalmente era minha e foi assim que a paixão por cozinhar começou a crescer mais e mais a cada dia. Nesses 7 anos de casada pude me aventurar bastante e aperfeiçoar minhas habilidades culinárias. Errando, acertando, mas sobretudo me divertindo muito e paparicando as pessoas que amo. E agora chegou o momento ideal para fazer o curso dos meus sonhos: Capacitação para Chef de Cozinha. E aqui estou eu... Nesse blog vou relatar minhas experiências no curso, na cozinha da minha casa e tudo aquilo que que tenha a ver com o prazer de cozinhar e comer bem. Seja benvindo(a)!